Trechos do livro Carta entre Amigos

Trechos do livro Carta entre Amigos, Fábio de Melo e Gabriel Chalita
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“Meu querido Gabriel,
Há discursos extensos que não nos presenteiam com palavra alguma. É a fala infértil, prolixa, redundante. Não agrega absolutamente nada ao que somos, mas ao contrário é capaz de nos retirar a alegria e a disposição. Neste mundo em que vivemos, é muito comum nos depararmos com discursos assim. Mas há outros que são ricos de palavras geradoras. São construídos a partir de uma visão holística da  realidade, capaz de abarcar inúmeros aspectos numa mesma trama de palavras. É o discurso que não abre mão da sensibilidade, que realiza a proeza de colocar na mesma pauta razão e emoção. Meu amigo, sua carta é um celeiro de palavras geradoras. Seu olhar sobre o mundo é profundo e respeitoso. A raiz de tudo isso é o amor que você tem pela humanidade. Não é possível refletir as questões fundamentais da comunidade humana sem que por ela existam amor e respeito”.
(Trecho do livro Carta entre Amigos, Fábio de Melo e Gabriel Chalita)


“Querido amigo,
Este é um ensinamento fundamental: nao permitir que a nossa vida caia no banal. Ler Dostoiévski, Tolstói, ou ouvir as histórias de Rosa, ou de dona Ana, ou de dona Anisse; beber em Padre Vieira, ou em mulheres e homens que nas praças e nas esquinas oferecem o paladar apurado pelo tempo; tudo isso nos tira do banal e nos empresta ornamentos para nossa travessia. Amigo, quando escrevo para você, escrevo para mim também. O verbo vai ganhando autonomia. As palavras são desafiadoras. Fico pensando se de fato eu paro, nem que seja em algumas janelas, para contemplar as vidas que se escondem por detrás dos véus das cortinas”.
(Trecho do livro Carta entre Amigos, de Fábio de Melo e Gabriel Chalita)
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“Meu amigo Gabriel, sua carta me proporcionou uma pequena viagem literária. Foi interessante reencontrar o contexto profundo dos personagens de Machado, atado à retórica eloquente de padre Vieira. De um lado está o escritor que não temeu descrever as mazelas humanas. A escrita vigorosa de Machado colocou à luz o subterrâneo da condição   humana. De outro, está o homem que cresceu sob a luz esperançosa da fé cristã. O que por Machado foi revelado com perspicácia e ironia, por ele foi refletido a partir de rebuscadas teologias. A condição frágil e inacabada do ser humano encontra redenção no Evangelho que padre Vieira anuncia".
(Trecho do livro Carta entre Amigos, de Fábio de Melo e Gabriel Chalita)
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“Querido irmão padre Fábio,
Depois de alguma pausa, voltemos à nossa prosa. No fluxo de nossa vivência, vamos aquinhoando experiências. Nossos olhares são capazes de reter considerações que vão moldando o que somos. A imagem surge como os sentidos captando impressões. Depois dela, vem o conceito. O conceito é o que permanece quando a imagem se esvai. É como o conhecimento que fica com o avançar da aprendizagem. Lançamos mão de excessos para que a viagem fique mais leve ou para que o compartimento dos nossos sentidos receba outros companheiros. O bom conceito é aquele que traz a companhia da bondade, da gentileza, do respeito, entre outros avidamente esperados. Esperamos como necessidade vital. Esperamos o amanhecer. Esperamos o entardecer. Esperamos a demorada cicatrização da incômoda ferida. Esperamos um amor. Esperamos compreensão. Compreensão apenas, amigo. Guimarães Rosa dizia que ‘esperar é reconhecer-se incompleto’”.
(Trecho do livro Carta entre Amigos, de Fábio de Melo e Gabriel Chalita)

3 comentários em:
Trechos do livro Carta entre Amigos

Raissa Gomes disse...

O padre Fábio é realmente um homem iluminado por Deus Pai. Ele tem mudado muitas vidas com suas palavras e suas canções. Me emociona cada vez que eu escuto. Deus o abençoe cada vez mais pelo bem que ele tem nos proporcionado.

neuci ribeiro disse...

Padre Fabio é um ser magnificamente brilhante...estou tendo a oportunidade de ler suas obras, e, a cada livro, renovo minha admiração...poucas pessoas nesse mundo eu gostaria de apertar a mão, ele, é um deles.

neuci ribeiro disse...

Padre Fabio é um ser magnificamente brilhante...estou tendo a oportunidade de ler suas obras, e, a cada livro, renovo minha admiração...poucas pessoas nesse mundo eu gostaria de apertar a mão, ele, é um deles.

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